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Debate? Que debate?

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Ontem a noite, a TV Com, braço “pobre” da RBS, apresentou o debate com os candidatos a governador do estado. O formato do programa foi bem parecido com o debate apresentado pela Band com os candidatos a presidência.

O que foi igual: a mesma fuga das questões, saindo pela tangente sempre que confrontados com alguma questão sobre erros do passado ou sobre um assunto que eles não estavam preparados. O único que admitiu que cometeu alguns erros foi o Olívio. Fico imaginando se isso arranhou a sua imagem ou se deu uma perspectiva melhor quando ele adicionou que “temos que aprender com os erros do passado”. Ele chegou a dizer a mesma coisa do governo Rigotto. Se ele realmente aprendeu, aí é uma questão de “vamos ver”. Alias, Olívio parece ter adotado o mesmo “slogan” do Lula e era todo “Olívio paz e amor”.

O que foi diferente: ao contrário do tom amigável do debate dos presidênciaveis, o debate dos governadores foi extremamente agressivo. O candidato do PSOL não perdia uma oportunidade para tentar ridicularizar os demais candidatos; Yeda quase saiu no braço com outros três candidatos. Lazier Martins, como apresentador do programa, estava mais interessado em cortar os candidatos que deixar que o debate continuasse, ao contrário do Ricardo Boechat, que entrava de leve quando o tempo terminada, mas não forçava a barra; mais de uma vez, Lazier cortou candidatos quando estes ainda tinham tempo.

No geral, um candidato que realmente perdeu no meu conceito (se é que ele tinha algum) foi o Alceu Collares. Ele pareceu o tempo todo desconectado da discussão, perdido em pensamentos, olhando pro teto… Acho que, em vários momentos, ele se perguntou “O que eu estou fazendo aqui?” Yeda também não foi muito bem: ela já tem um jeito de arrogante e, quando perdia a compostura ao ser pressionada, ficou ainda mais com uma cara de descontrole emocional. Terrível, terrível.

Quem melhorou um pouco foi o Rigotto. Pra ser sincero, até hoje eu acredito que ele não fez nada enquanto esteve na cadeira de governador, mas ele listou vários fatos que foram feitos no seu governo, como a redução do ICMS para alguns produtos, inclusive o pão francês. Não que o preço do pão francês tenha caido por isso, ou que a indústria calçadista tenha se recuperado devido a estas reduções, mas ele fez alguma coisa, pelo visto.

Outra coisa horrível foram os jornalistas convidados. Nenhum parecia estar realmente interessado em perguntas próprias. Era como se eles tivessem um roteiro pronto, feito por uma outra pessoa, dizendo “pergunte sobre tal assunto”. Não teve nenhum que chegou a ponto do Franklin Martins no debate dos presidenciáveis que fez uma simples afirmação e deixou Alkmin sem palavras. Os jornalistas da RBS se esforçavam para ficar aparecendo na frente da camêra ao invês de ir direto ao cerne da questão. Paulo Santana pra fazer perguntas? Ele ficava mais viajando, correndo em círculos ao invés de fazer a pergunta de uma vez. Acho que em todas as vezes ele estourou o tempo pra fazer a pergunta.

Agora, apenas para esclarecimento, todas as vezes que eu escrevi debate no texto acima, eu deveria ter colocado “debate”. Porque debate propriamente dito não aconteceu. Essa mania de ficar fugindo ao ser pressionado ou ficar fazendo perguntas sobre o que passou é o que realmente mata esses debates. Todas perguntas deveriam começa com “Senhor candidato, o que diz o seu plano de governo sobre o assunto…”

Acho que o único programa aproveitável dessa leva foram as entrevistas que o Jornal Nacional fez com os candidatos. Eles sabiam onde estavam os pontos fracos dos planos de governo e exploraram isso ao máximo. Por mim, poderiam haver mais desses programas.

Written by Julio Biason

August 23rd, 2006 at 8:58 am

Posted in Politics, Portugues

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