O Caso Dunga

O maior “escândalo” da Copa do Mundo com a esquadra brasileira foram as declarações do técnico Dunga chamando um jornalista de “merda, cagão”. Dunga é conhecido por sua raiva com o jornalismo brasileiro, mas todos falaram que foi descabido os insultos falados. Eu realmente consigo entender a raiva que o Dunga tem com o jornalismo brasileiro mas, assim como muitos, me pareceu um pouco exagerado. Foram aí que alguns fatos passaram por mim:

Fato 1: “Vergonha Alheia”

No matinal da Rádio Gaúcha (cujo nome eu sou incapaz de lembrar e me recuso a chamar aquilo de “jornal”), Túlio Milman, que escreve a segunda página da Zero Hora, comentou o seguinte numa das entrevistas (aproximadamente, não consigo lembrar exatamente as palavras usadas):

Me sento envergonhado como jornalista quando vejo as entrevistas coletivas em que um jornalista, que deveria perguntar sobre a seleção, vem com um conjunto de opiniões próprias e termina com ‘O que você acha?’. Isso não é jornalismo.

Fato 2: “Memoria de Elefante”

Em uma das coletivas, o técnico respondeu para um jornalista que tinha “memória de elefante” sobre o mesmo jornalista ter perguntando se o Robinho deveria realmente ir para a copa e agora estar perguntando porque o Robinho não entrou no lugar do Kaká. Ao que tudo indica, o jornalista no caso
Dunga falou para jornalista sobre sua memoria de elefante (aparentemente, Robinho) era o mesmo jornalista que teve que ouvir de Dunga.

Fato 3: “Jornalista nao deve misturar pessoal com profissional”

Ontem (23 de junho), ao retornar para casa, fiquei ouvindo o programa “Pretinho Básico” no rádio. Como a Atlântida é parte do grupo RBS, assim como a rádio Gaúcha, houve uma brincadeira entre os apresentadores e o apresentador Sílvio Benfica (acredito eu, sou terrível com nomes) e foi perguntando, em tom de leve brincadeira: “E então Sílvio, o que os teus colegas da SporTV estão achando do comentário do Dunga?”. A resposta veio (de novo, não exatamente com estas palavras):

Olha… Eu realmente não quero comentar sobre isso, eu não quero atiçar essa fogueira mas, na minha opinião, jornalista não deveria misturar questões pessoais com profissionais.”

Perceba que, na opinião de alguém que está perto do evento real, quem não deveria misturar o pessoal é o jornalista.

Fato 4: “Dossie UOL”

Em vários lugares da internet, estão colando um link para uma notícia do UOL que afirma que a Globo tem sido vetada sem parar pelo técnico, mesmo com ordens da CBF. Há, ainda, alguns dizendo que o jornalista fez o comentário de propósito, justamente para provocar Dunga e, assim, fazer com que o mesmo baixasse a cabeça e cedesse.

Fato 5: “Nem tava olhando pra ti”

As informações da entrevista em questão contam que a conversa entre o técnico brasileiro e o jornalista foram algo do tipo:

Dunga: “Hein?”
Jornalista: “Nada. Eu nem tava falando contigo.”
Dunga: “Ah…”

Bom, eu não se mais alguém vai concordar comigo, mas se, por algum motivo, tu interropme alguém, é costumeiro pelo menos pedir desculpas. Como pode ser visto, não foi o ocorrido.

Não espere respeito de quem não te respeita.

Fato 6: A Camêra

Alguém me apontou que o Dunga deveria pelo menos lembrar que as caméras estariam viradas para ele e que alguém poderia “ler” o que ele falou. Neste caso, meu problema é que, justamente, não temos como ver o que o jornalista estava fazendo (rosto, postura corporal.) De novo, fica a pergunta se realmente o que foi feito não foi uma provocação pra cima do técnico.

“Efeito Coreia do Norte”

A grande questão que sobra é não temos como perceber exatamente o que aconteceu porque o “prejudicado” nesta história, segunda a imprensa, é quem tem todos os direitos de transmissão e pode, a seu bel prazer, simplesmente não transmitir coisas que poderiam explicar o evento inteiro.