Upstarting (Synergy and Jira)

After some small headaches, I managed to setup my first two upstart scripts[1]. So, for your amusement, here they are:

Synergy

# Synergy server

description        "Synergy Server"
author            "Julio Biason "

start on (net-device-up
          and local-filesystems)
stop on runlevel [016]

umask 007

pre-start script
    [ -s /etc/synergy.conf ]
end script

exec /usr/bin/synergys

Jira

# Jira issue tracking

description        "Jira issue tracker"
author            "Julio Biason "

start on (local-filesystems)
stop on runlevel [016]

script
    su - jira
    # Yes, I just unpacked and run it. And I'll have to change this in case
    # I get a new version.
    cd /usr/local/jira/atlassian-jira-enterprise-4.1.2-standalone
    bin/startup.sh
end script

Note: I just noticed the Jira upstart doesn’t do a proper shutdown (calling bin/shutdown.sh). I’ll fix it later and post it again.


[1] “Small headaches” ’cause I’m used to the old way of writing startup scripts, which are way more explicit than upstart. But, once you got one running, this looks a bit simpler (although not as explicit as the old shell scripts.)

Medos que se tornam verdade

Quando coloquei que o Tadeu Schmidt deveria calar a boca eternamente, acabei concluindo com uma preocupação (que poderia mais ser um reductio ad absurdum) de que se nos esportes aceitam-se os trocadilhos engraçadinhos e deixa-se a notícia, o fato, de lado, isso logo espalharia para as demais áreas do jornalismo. Obviamente, um grande salto de lógica.

Infelizmente, não levou muito tempo para que eu achasse um exemplo real do meu medo.

Na Zero Hora de hoje, bem na capa, há a seguinte manchete:

“Um goleiro enredado”

É, obviamente, uma alusão à prisão do goleiro Bruno do Flamengo, acusado de ter sequestrado a amante, força-la a abortar e, como a criança chegou a nascer, acabou por planejar a morte da mesma. Ou, pelo menos, é a linha que está sendo seguida pelas investigações da polícia e cujos fatos estão surgindo para confirmar a hipótese.

E, com um caso bárbado destes, a Zero Hora, que deveria ser um jornal sério (em contra-partida com o já não sério Diário Gaúcho), coloca um trocadilho destes. Se jornal tivesse som, a manchete seria seguida por algum imitador do Sílvio Santos rindo.

Um homem abusa da posição de sucesso na mídia para participar de orgias, engravida uma garota de programa, força-a a abortar e depois planeja sua morte e a executa com a ajuda de traficantes. E vira trocadilho de um dos maiores veículos de notícias do estado.

Realmente, “jornalismo” é uma atividade rara no país, sendo gradualmente substituido pela comédia.

Porque o Tadeu Schmidt tem que calar a boca

Tudo começou como uma brincadeira no Twitter: O já “batido” cala-boca Galvão, que se murmurava por aí a tempos, conseguiu ser um “trending topic” mundial na rede social. Por uma coincidência, isso aconteceu um pouco antes do técnico da seleção discutir com um jornalista. Na mesma noite, Tadeu Schmidt veio à público com um editoral rechassando Dunga. Aproveitando o embalo e apoiando a atitude do técnico, apareceu o novo trending topic: “Cala boca Tadeu Schmidt”.

“A reportagem é um conteúdo jornalístico, escrito ou falado, baseado no testemunho direto dos fatos e situações explicadas em palavras e, numa perspectiva atual, em histórias vividas por pessoas, relacionadas com o seu contexto. A reportagem televisiva, testemunho de acções espontâneas, relata histórias em palavras, imagens e sons.’ — Wikipedia

Quando se ligou do que estava acontecendo, a Globo resolveu botar o Tadeu Schmidt e o jornalista envolvido na questão na geladeira. Ambos sumiram da telinha por uma semana e depois voltaram aos poucos à programação, com notícias e comentários curtos. O que eu vejo, é que o Tadeu Schmidt tem que calar a boca definitivamente.

“Jornalismo é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se o Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos atuais.” — Wikipedia

Meu problema todo com o Tadeu Schmidt é o que ele representa.

Para ilustrar a questão, deixem-me utilizar uma parábola:

Quando o PlayStation 2 foi lançado, a Sony disse que poucas empresas conseguiriam tirar o proveito máximo de todas as capacidades do aparelho. 2 anos depois de lançado, o jogo “Shadow of the Colossus” foi aclamando pela mídia e, segundo a Sony, era (e ainda é) o jogo que consegue explorar melhor tudo que o aparelho oferece. “Colossus” é o ápice dos jogos para PlayStation 2.

E isso é o que é o Tadeu Schmidt: ele é o “Shadow of the Colossus” da “comédia esportiva”, o ápice da falta de jornalismo esportivo. Ele é a consagração máxima do “comediante esportivo.”

Eu sou do tempo que se ouvia jogos de futebol com comentários do Ruy Carlos Ostermann, que conhece o jogo, conhece a história do jogo e relacionava fatos novos com os antigos para demonstrar a visão geral do que estava acontecendo.

Outro exemplo de “jornalista esportivo”, embora em outra área, é o Reginaldo Leme. Quem nunca se surpreendeu com a capacidade que ele tem de buscar fatos na história da Fórmula 1 para explicar acontecimentos da corrida atual? Ou buscar as informações necess´rias para explicar porque o novo desenho de asa da equipe X dá à equipe um melhor coeficiênte de arrasto e que isso daria uma maior velocidade nas retas mas não nas curvas?

Mas, a tempos, essa visão do “jornalista esportivo” começou a mudar. Eu acredito que o primeiro passo (ou o primeiro largo passo) dado foi o Sílvio Luís e seus rebuscados jargões, numa época que o Galvão Bueno era bem comportado neste aspecto até. Como o narrador estrapolava, os jornalistas começaram a estrapolar também, e começaram a colocar pequenos comentários humorísticos nas suas reportagens. Até chegarmos no Tadeu Schmidt, onde “reportagem” é o que menos existe e piadas cobrem tudo o que ele fala. De novo, ele é o ápice do “humorista esportivo”, a profissão que atirou o jornalismo na lixeira e mandou reciclar em outro campo, mas não foi o primeiro.

Colocar palavras na boca dos jogadores, fazer “interpretação” corporal, falar com o replay em câmera lenta, tudo isso é o que Tadeu Schmidt faz. A preocupação com a informação fica num distante segundo lugar. A piada vem sempre primeiro. A falta de “reportagem” é tão grande que, num sketch sobre a copa (ou seja, não dá pra chamar de “reportagem”), Tadeu parou na frente de um fosso próximo do campo e falou:

“Este fosso deve ter… hm… hm… uns 2 metros.”

“Uns 2 metros”. Depois de parar para olhar. Numa “reportagem” pré-gravada, não ao vivo. Com funcionários arrumando o campo. Logo, haviam várias oportunidades para pesquisar, perguntar, verificar a altura correta. Mas, como a piada é mais importante, o fato real não importa.

Meu maior medo é que esta tendência de adicionar piadas e acabar se tornando mais importante que o fato central da “reportagem” acabe se espalhando por outras áreas. Se funciona no esporte, porque não iria funcionar com, digamos, as reportagens policiais?

Tadeu Schmidt é o primeiro passo para que a Idiocracia se torne realidade.