Reformar o trânsito de Porto Alegre

Esses dias li em algum blog que deverímos abandonar a copa porque as reformas nas vias de Porto Alegre sequer começaram e a única obra que está seguindo é a reforma de um túnel que vai levar um ano e meio para ser concluído.

Não que eu não concorde que as obras deveriam estar bem mais adiantadas, no sentido de terem, pelo menos, começado, mas existem outras coisas que precisam ser reformadas no trânsito porto-alegrense antes de sairem reformando vias por aí.

Deixem-me apresentar uma parábola:

Depois de ver o excelente futebol na copa de 2010, o senhor Lukas Müller resolve vir ao Brasil para ver Özil “estraçalhar” os times adversários. E, aproveitando, faz um agrado a dona Leonie, que vem enchendo a paciência dele sobre fazer viagens.

Assim, eis que o senhor Lukas encontra-se na manhã da partida para o jogo entre Alemanha e algum outro time (pra ele não interessa o outro time, é Özil jogando!), ele pede à atendente para chamar um táxi para ir ao estádio.

– Can you take us to the stadium? — Diz Lukas, em seu inglês com um forte sotaque alemão.

O motorista, que não fala ou entende porra nenhuma de inglês, entende o “estádio”, percebe que deve ser da copa e, como felizmente só tem um estádio que irá sediar os jogos da copa, assume, corretamente, que nosso amigo quer ir ao Beira Rio ver o jogo.

No caminho, o motorista passa a maior parte do tempo na faixa da esquerda. Vários carros passam pela direita, deixando Lukas confuso se o Brasil usa a mão americana ou inglesa. Também começa a ficar assustado com as motos que ou passam muito perto dos carros ou trocam de pista rapidamente.

No caminho, depois dos sustos com as motos, ele ainda fica preocupado quando o táxi para no meio do crusamento, num engarrafamento gigantesco, com os carros do outro sentido grudados na porta do carro em que ele se encontra. Felizmente, depois de passaram pelo carro da dondoca que “só ia pagar uma conta” na loja de roupas e deixou o carro com o pisca alerta fechando uma das pistas, o tr´nsito volta a fluir de forma “normal”.

Enfim, uma histórinha que vemos todos os dias no tr&aacirc;nsito porto-alegrense. E não há obra que vá corrigir dondocas que param em qualquer lugar e acham que ligar o pisca alerta é uma forma de poder estacionar onde quiser, motoqueiros que não sabem dirigir e pessoas que insistem em andar na faixa da esqueda mesmo quando não estão ultrapassando ningu&ecute;m. A não ser que começemos agora a educar esse povo todo — e quando digo educar, quero dizer multar mesmo — daqui a 4 anos vamos passar uma idéia de um trânsito tão caótico quando o da Índia.

Obras são de menos. Provavelmente ainda sai mais barato educar os motoristas do que refazer ruas e viadutos na cidade.