EPTC “sempre” presente?

Ontem no Pretinho Básico foi lida no ar uma mensagem de um ouvinte falando sobre a última Massa Crítica, que fechou uma das ruas de Porto Alegre em protesto, como acontece em toda última sexta-feira do mês. Segundo o ouvinte, ele ficou no telefone por 3 minutos tentando falar com a EPTC sem sucesso. O pessoal do Pretinho nem soube dizer exatamente de quem seria a responsabilidade de colocar batedores e coordenar a passeata. Foi quando algum “responsável” (e coloco em aspas de propósito) enviou uma mensagem dizendo que sim, a EPTC é a responsável por colocar batedores e coordenar e sempre se faz presente quando avisada. E só isso.

Primeiro, esse “responsável” (novamente, entre aspas) não disse coisa alguma sobre se a EPTC foi avisada ou não. Deixou pendente no ar. Segundo, sequer tocou no caso do ouvinte ter ficado três minutos esperando para falar com alguém, sem sucesso. E não vou entrar em detalhes sobre vários participantes do Massa Crítica falando que, quando a foi EPTC avisada, no protesto posterior ao atropelamento de participantes na Lima e Silva, os batedores passaram boa parte de tempo andando na contra-mão e sobre a calçada.

Também consideremos o seguinte: A EPTC está sempre presente no crusamento da Plínio com a Carlos Gomes no horário de pico, quando vários carros passam o sinal amarelo, não permitindo que pedestres possam crusar a faixa de segurança quando o sinal deles está verde? A ETPC está presente na Dom Pedro II domingo de manhá, quando vários carros passam a noite estacionados em lugar proibido? A EPTC está presente na Dom Pedro II, próximo ao bar Santa Mônica, no sábado a noite, quando a faixa da direita é feita de estacionamento por flanelinhas? A EPTC está presente no crusamento da Cristovão Colombo, Benjamin Constant e Quintino Bocaúva para multar os “espertinhos” que utilizam a faixa da esquerda, destinada a quem quer entrar na Benjamin e sequem na Cristovão? A resposta para todas estas perguntas é um grande e sonoro “não”.

Sabe onde a EPTC se faz presente? No estacionamento irregular sobre a faixa de pedestres na Carlos Gomes próximo a Furriel. Na troca de sinaleira da Cel. Aparício Borges com Oscar Pereira, as 8:30h da manhã, no horário de pico. Na demora de 3 horas da ligação para o serviço deles e a chegada de uma viatura para organizar um estacionamento irregular numa rua sem saída como a Carvalho Monteiro. E, principalmente, no caos generalizado que é o trânsito de Porto Alegre.

(E os eventos acima citados são apenas os que eu vi pessoalmente. Ouço histórias um pouco piores que estas dos meus colegas e amigos, mas não vou ficar no diz-que-diz-que.)

É muito fácil enviar um texto passivo-agressivo dizendo apenas “quando avistados, estamos presentes”. Não tão fácil é ter uma engenharia de trânsito capaz de trabalhar com a velocidade com que os carros são introduzidos na cidade. Não é tão fácil se fazer presente, multar e, principalmente, educar o trˆnsito desta cidade. Obviamente, escolhe-se apenas o que é mais fácil e ignora-se o que realmente deve ser feito.

Muitos poderiam dizer que a falta de educação e respeito as leis de trânsito da cidade são um sintoma maior de um problema cultural do país. Sim e não. A simples falta de respeito as leis poderia ser facilmente corrigida com fiscalização, parte que a EPTC simplesmente se recusa a fazer. Se existe uma lei, mas ela não é fiscalizada, esta lei não existe de fato.

Não estou, aqui, defendendo a Massa Crítica por ter fechado uma rua próxima a hospitais. Estou aqui, veementemente, criticando a EPTC por sua postura arrogante e total incompetência em gerir o trânsito desta cidade, como evidenciados pelos fatos acima.