Uma Lição de VIM #15.9: Plugins – CtrlP e CtrlPFunky

(Essa é a parte em que você vai ter a impressão de estar programando em Perl, porque qualquer caractere é válido.)

O nono e penúltimo plugin (na verdade os nonos e penúltimos plugins) discutido é o CtrlP e seu plugin (sim, um plugin do plugin[1]) CtrlPFunky.

Para instalar os dois, com Vundle:

Bundle ‘kien/ctrlp.vim’
Bundle ‘tacahiroy/ctrlp-funky’ 

CtrlP é um plugin que facilita encontrar e abrir arquivos, com procura fuzzy. E, por procura fuzzy eu quero dizer que ele encontra qualquer arquivo que tenha as letras digitadas na ordem que você digitou.

ctrlp

Para acionar o CtrlP, você deve digitar, logicamente, [Ctrl]p. Ao fazer isso, uma janela parecida com a Quickfix irá aparecer, mostrando alguns arquivos e um prompt para que você digite o que quer encontrar. No exemplo acima, como que digitei “vim”, ele encontrou todos os arquivos a partir do diretório atual que começavam com “v”, tinham um “i” no meio e terminavam com “m” (seria basicamente o mesmo que pegar a lista de arquivos a partir do diretório atual e seus sub-diretórios e procurar pela regex “v.*i.*m”.)

Uma vez que você encontre o arquivo desejado na lista (ela não tem rolagem, então se você ainda não estiver vendo o arquivo, continue adicionando caracteres para que o arquivo desejado apareça na lista — uma vez lá, você pode selecioná-lo com as setas), você pode:

  • Pressionar [Enter] para abrir o arquivo na janela atual.
  • Pressionar [Ctrl]t para abrir o arquivo em outra aba.
  • Pressionar [Ctrl]s para fazer um split horizontal e abrir o arquivo no novo split.
  • Pressionar [Ctrl]v para fazer um split vertical e abrir o arquivo no novo split.

Um problema que você talvez encontre é que o CtrlP costuma listar tudo que se encaixar na expressão utilizada, inclusive arquivos binário, objetos intermediários, etc. Para remover estes arquivos da listagem, você pode usar :set wildignore, que também afeta a lista de arquivos que o VIM mostra quando você estiver usando os comandos normais de abertura de arquivo (:e, :tabe, etc).

Como a configuração do wildignore é uma lista, você pode adicionar ou remover usando += e -=. Por exemplo, para ignorar os arquivos de objetos compilados do Python e o diretório que o setup.py constuma usar para construir o pacote de distribuição do módulo, você teria:

set wildignore+=*.pyc
set wildignore+=*/build/*

ou ainda, para economizar uma linha:

set wildignore+=*.pyc,*/build/*

CtrlP tem um plugin, chamado CtrlPFunky. O que ele faz é basicamente o mesmo que o CtrlP, mas procurando funções, não arquivos.

Para ativar o CtrlPFunky, você precisa primeiro adicionar o mesmo como uma extensão do CtrlP (e, só pra avisar, isso é específico do CtrlP, não algo que funciona com todo e qualquer plugin):

let g:ctrlp_extensions = [‘funky’

Uma vez instalado, você pode usar :CtrlPFunky para mostrar a lista de funções no fonte (e a procura continua igual). O problema com CtrlPFunky é que, assim como todas as demais coisas que vínhamos vendo, ele se basea no tipo de arquivo atual (:set ft) e para arquivos em que o conteúdo e uma mistura de várias linguagens (p.ex., arquivo template com a linguagem de template, HTML, CSS e JavaScript), a listagem de funções pode não ser o que você está esperando (ou sequer vai funcionar).

Para facilitar a sua vida, você pode fazer um mapeamento do comando para um atalho de teclado. Por exemplo, eu coloquei [Ctrl]o para chamar o CtrlPFunky com

nnoremap <C-O> :CtrlPFunky<CR>

[1] “Plugin-ception” har har har[2].

[2] Eu não consigo entender porque as pessoas utilizando tanto o “ception” quando encontram um meta desta jeito. Um “inception” é a inserção de uma idéia de forma que a pessoa pense que a idéia é dela, não uma “Matrioska“.