“Ao invez de aumentar tudo de uma vez só, vamos aumentar aos pouquinhos”

Parece que os deputados e senadores se ligaram que “se um sapo for colocado em água quente, ele vai saltar fora mas se for colocado em água fria e ela for aquecida lentamente, o sapo morrerá cozido”. Ao remover o pedido de aumento (ou bloqueado pela justiça[1]), o pedido agora é de “apenas” R$ 3.700[2] (mais do que eu recebia quando tava empregado, sendo que eu tinham descontos caso não aparecesse na segunda e na sexta-feira).

A questão é: é aí que a coisa vai parar ou eles poderão se dar aumentos a cada três semanas, fazendo que com no meio do ano o salário já chegue aos R$ 24.500 que tem sido repudiado. Será que a sociedade vai se ligar dessas coisas e continuar atacando essa corja que vai aumentando o salário para fazer nada?

Considerem isso: uma vez, o problema eram os políticos que não faziam nada; depois, passaram a ser os políticos que usavam a máquina administrativa para proveito próprio[3]; na seqüência, veio o crime organizado; agora, os políticos tem que se defender de pessoas comuns que os atacam (e não podemos dizer “sem motivo”). Lentamente, esse país está caminhando para uma guerra civil e políticos estão mais preocupados em ganhar mais do que tentar salvar o país. Ou vai ver estão juntando “um dinheirinho” pra se mudar pra Miami quando o caos imperar.

[1] Jornal da Record: “A Justiça acaba com a festa: o Supremo Tribunal Federal derruba o aumento de quase 100% para deputados e senadores.”
[2] Folha Online: “Parlamentares prometem defender aumento dos salários para R$ 16.500”.
[3] Como um certo presidente que construiu uma piscina usando equipamentos do estado.

Congresso quase dobra salários de parlamentares; governo evita crítica

Líderes partidários da Câmara e do Senado fecharam um acordo hoje para reajustar os salários dos deputados e senadores. Após o encontro, o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PC do B-SP), confirmou que o Congresso deve equiparar o salário dos parlamentares aos vencimentos dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), de R$ 24.500.

Incrível como um ato que deveria ser um serviço à população vira rapidinho uma profissão.

Alias, eu também quero um emprego em que eu mesmo decido qual vai ser meu salário. Provavelmente aí está o erro: quem deveria decidir o salário de deputados e senadores deveria ser algum orgão que não o próprio.

E, seguindo a mesma coisa que eu fiz com o escândalo das ambulâncias, lá vai a distribuição de partidos e estados:

Partidos:

PMDB 4
PL 4
PFL 4
PT 3
PSB 2
PDT 2
PC do B 2
PTC 1
PTB 1
PSDB 1
PPS 1
PP 1

Estados:

AC 1
AL 3
BA 2
CE 2
GO 1
MG 2
PB 3
PE 2
PI 1
RJ 2
RN 1
RR 1
SC 1
SE 1
SP 2

Depois eu adiciono o percental.

Também acho interessante citar que os que se oporam form os dois do PSOL e o único gaúcho.

About government forms

“Democracy is the rule of the people , by the people and and for the people.” – Abraham Lincoln

Don’t ask me why I was thinking about democracy. Probably the fact that what we expect from our politicians is that they try to see our problems and try to fix them. The problem is: how they will see the problems if they have to stay locked in a room voting laws all they long? And how they will understand the problems if the country is so huge we can’t even understand the people that live on the next state?

“Democracy is the worst form of government except from all those other forms that have been tried from time to time.” – Winston Churchill, speech in the House of Commons, 11 November 1947

“Democracy is nothing but the Tyranny of Majorities, the most abominable tyranny of all, for it is not based on the authority of a religion, not upon the nobility of a race, not on the merits of talents and of riches. It merely rests upon numbers and hides behind the name of the people.” – Proudhon, Demokratie und Republik, S. 10.

The only way is to force politicians to go all the way from the bottom level till the top. But there are many more people in the bottom level than spaces on the upper levels. So we need a way to select the few good ones that can stay on the upper levels. Democracy doesn’t offer a good way to show us what the people we elected in the first place actually did something. We tend to check people we voted for, not the others. What if the others actually did a better the job than the one we voted for?

There is, however, a way that we don’t need to keep an eye all the time on everyone. Meritocracy works fine for open source government, but we don’t have it on real world. The problem with meritocracy is that it works from top to bottom, so we need someone with strong power at the top and that person needs to really care about doing a good job. It works for open source projects because the top leader is, actually, someone who is really interested on doing a better work for the project. Where we could find someone who is really interested in helping people? I mean, truly helping people. Of course, there is such person, as every man has his price. So, even if I’m also an advocate of meritocracy, I don’t think it will work for a whole country. Take a look at the wikipedia link: all supporters of meritocracy were either philosophers or dictators.

So, meritocracy won’t work for a country. But would probably work for small communities. That’s probably the problem with current government: it is so big it can’t care about the whole picture. So the minorities created by democracy become bigger. In a way, even democracy could work for small communities, except that people get elected due marketing tactics than really being worth for the job. One person at the top of a small chain could do a much better job choosing who is good enough to take his place when he comes down, or who can do a better job taking care of a ministry.

But, again, it is a matter of breaking down the power chain, taking a big power from one person and splitting into million pieces. And power corrupts, so this person won’t give up his power now. We are trapped into democracy, even if something better comes along.

E a política volta ao normal

Isso foi percebido pela minha mãe, e depois confirmado pelo meu pai.

Houve um anúncio ontem das açõs do governo. Entre elas, a liberação de 1 bilhão para a exportação de soja, para a região centro-oeste. Coincidentemente, na região centro-oeste encontra-se o estado do Mato Grosso do Sul, estado do governador eleito André Puccinelli que, durante a sua campanha, resolveu apoiar Lula para presidente, mesmo sendo do PMDB enquanto que o candidato a presidência sendo do PT.

Agora, outro fato engraçado: André Puccinelli é dono de uma grande empresa de… exportação de soja.

Curioso, não?

Yeda sugere abatimento de dívida vinculado a redução de déficit

Folha Online:

A governadora eleita do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), adiantou nesta segunda-feira que enviará ao Congresso uma sugestão segundo a qual os Estados possam abater o pagamento da dívida com a União à medida que reduzirem seus déficits.

Uma das coisas apontadas pela nova governadora para sua gestão de governo (bom, na verdade, era de praticamente todo mundo) era evitar os calotes dados no governo, aumentando assim a arrecadação e arranjando o dinheiro para aplicar no desenvolvimento do estado. Mas, mesmo antes de assumir o governo, ela já está cogitando dar o calote no governo federal.

Show.

O desespero impera no debate

Vou admitir: não vi todo o debate. Aliás, não vi nem mesmo um bloco inteiro. Não achei necessário. O que eu vi foi, em duas perguntas, um ex-governador acuado num canto, tentando de todas as formas atacar seu oponente, fugindo terrívelmente das perguntas. Bem na parte de que eu comecei a ver, Alkmin estava falando panfletos das atividades do governo (que foram distribuídos pelo PT). Ao terminar seu tempo, Lula comentou qque a pergunta era sobre segurança. A seguir, uma pergunta sobre prisão para os menores de idade, falando sobre segurança. Alkmin criticou o governo sobre a prisão somente com flagrante. Lula respondeu, corretamente, que na questão de segurança, cada um bota a culpa no outro enquanto o povo sofre e que é preciso trabalhar junto para resolver o problema. Ao voltar para o Alkmin foi respondeu, resolveu falar do Aero-Lula e que venderia para fazer cinco hospitais. Foi aí que eu desisti de ver.

Sinceramente, esses debates teriam que ter uma punição para candidatos que fugem do tópico. Debates em que os candidatos falam qualquer bobagem, fugindo do assunto, é uma porcaria.

O Dossiê

Belo nome de filme. Infelizmente, é mais uma das coisinhas que inventaram para que os políticos tenham como falar mal de seus adversário, ao invés de se focarem em outra coisa como, por exemplo, os planos de governo.

O que eu acho estranho nessa história toda (e que surgiu de uma conversa durante o jornal com meus pais) é que enquanto se discute de onde vieram os 1.7 milhões para a compra do dossiê, ninguém está discutindo o conteúdo. Pior ainda é que quem deveria estar falando do conteúdo está, na verdade, aceitando tomar pedrada (nesse caso, o PT). E, se considerarem as entrevistas do Serra, ele não anda nem confirmando (logicamente) nem desmentindo o conteúdo (o que é estranho). Ainda, como é que ninguém apontou que o FHC não sabia dessa história, da mesma forma que tem feito com o Lula? Será que, na verdade, ele sabia?

Security by cross-referencing incomplete data

Those days I were thinking about security models and how people find out security breachs. It usually appear when something is wrong in the system, so people add more measures in the process to prevent it. The problem appears when you have so much prevention measures that the system becomes unusable or so hard to use no one can do it right. Want an example? Our current IR forms: you have to add information about who gave you money and who do you paid.

Why not use incomplete data to secute it? I mean, take a look at PGP: you have part of the data, I have part of the data and nobody has the full part, but things work when I take my part and your part of the data. Same thing with the IR: why I need to point who paid me something if that someone need to point that he/she paid me? Todays computers can manage to cross-reference all data in some time (I think a two month delay isn’t a big problem for the IRS). Also, it would mean that everything you pay, you would get a receipt, even a single cup of coffee. This would mean more taxes being paid but, as we are the final consumers, we pay them already and the companies never paid it back to the government (and what the government does with that money is a matter to another discussion).

O que tem de errado com a campanha de Alkmin

A muito tempo tenho lido na Folha Online que os “caciques” do PSDB estão exigindo que a campanha do Alkmin deve aumentar o tom de crítica ao governo Lula para que aumente, assim, suas intenções de voto. A campanha, até onde acompanhei, tem sido, realmente, mais agressiva com relação ao governo, mas nem por isso as intenções de voto tem aumentado. Então, o que está sendo feito de errado?

A resposta é o próprio discurso do Alkmin: quando surge um problema ou quando questionado sobre como irá tratar uma determinada área do governo, a resposta tem sido “Iremos criar um plano para resolver isso, iremos fazer um rearranjo das contas públicas para arranjar dinheiro para solucionar isso, que foi abandonado no governo atual”, com uma ou outra alteração. Deixemos de lado que, se juntarmos todas as alterações de arranjos de gastos, todo setor irá ganhar dinheiro e perder dinheiro ao mesmo tempo, os discursos não passam de “Se for eleito, prometo…” que tem sido constante gozação da política desde os mais remotos tempos. E isso é o que tem prejudicado a campanha de Alkmin: todas as falas não passam de “Se for eleito”.

A campanha de Alkmin não precisa atacar mais o governo Lula, ela tem que começar a mostrar como é que ele vai fazer isso.

Debate? Que debate?

Ontem a noite, a TV Com, braço “pobre” da RBS, apresentou o debate com os candidatos a governador do estado. O formato do programa foi bem parecido com o debate apresentado pela Band com os candidatos a presidência.

O que foi igual: a mesma fuga das questões, saindo pela tangente sempre que confrontados com alguma questão sobre erros do passado ou sobre um assunto que eles não estavam preparados. O único que admitiu que cometeu alguns erros foi o Olívio. Fico imaginando se isso arranhou a sua imagem ou se deu uma perspectiva melhor quando ele adicionou que “temos que aprender com os erros do passado”. Ele chegou a dizer a mesma coisa do governo Rigotto. Se ele realmente aprendeu, aí é uma questão de “vamos ver”. Alias, Olívio parece ter adotado o mesmo “slogan” do Lula e era todo “Olívio paz e amor”.

O que foi diferente: ao contrário do tom amigável do debate dos presidênciaveis, o debate dos governadores foi extremamente agressivo. O candidato do PSOL não perdia uma oportunidade para tentar ridicularizar os demais candidatos; Yeda quase saiu no braço com outros três candidatos. Lazier Martins, como apresentador do programa, estava mais interessado em cortar os candidatos que deixar que o debate continuasse, ao contrário do Ricardo Boechat, que entrava de leve quando o tempo terminada, mas não forçava a barra; mais de uma vez, Lazier cortou candidatos quando estes ainda tinham tempo.

No geral, um candidato que realmente perdeu no meu conceito (se é que ele tinha algum) foi o Alceu Collares. Ele pareceu o tempo todo desconectado da discussão, perdido em pensamentos, olhando pro teto… Acho que, em vários momentos, ele se perguntou “O que eu estou fazendo aqui?” Yeda também não foi muito bem: ela já tem um jeito de arrogante e, quando perdia a compostura ao ser pressionada, ficou ainda mais com uma cara de descontrole emocional. Terrível, terrível.

Quem melhorou um pouco foi o Rigotto. Pra ser sincero, até hoje eu acredito que ele não fez nada enquanto esteve na cadeira de governador, mas ele listou vários fatos que foram feitos no seu governo, como a redução do ICMS para alguns produtos, inclusive o pão francês. Não que o preço do pão francês tenha caido por isso, ou que a indústria calçadista tenha se recuperado devido a estas reduções, mas ele fez alguma coisa, pelo visto.

Outra coisa horrível foram os jornalistas convidados. Nenhum parecia estar realmente interessado em perguntas próprias. Era como se eles tivessem um roteiro pronto, feito por uma outra pessoa, dizendo “pergunte sobre tal assunto”. Não teve nenhum que chegou a ponto do Franklin Martins no debate dos presidenciáveis que fez uma simples afirmação e deixou Alkmin sem palavras. Os jornalistas da RBS se esforçavam para ficar aparecendo na frente da camêra ao invês de ir direto ao cerne da questão. Paulo Santana pra fazer perguntas? Ele ficava mais viajando, correndo em círculos ao invés de fazer a pergunta de uma vez. Acho que em todas as vezes ele estourou o tempo pra fazer a pergunta.

Agora, apenas para esclarecimento, todas as vezes que eu escrevi debate no texto acima, eu deveria ter colocado “debate”. Porque debate propriamente dito não aconteceu. Essa mania de ficar fugindo ao ser pressionado ou ficar fazendo perguntas sobre o que passou é o que realmente mata esses debates. Todas perguntas deveriam começa com “Senhor candidato, o que diz o seu plano de governo sobre o assunto…”

Acho que o único programa aproveitável dessa leva foram as entrevistas que o Jornal Nacional fez com os candidatos. Eles sabiam onde estavam os pontos fracos dos planos de governo e exploraram isso ao máximo. Por mim, poderiam haver mais desses programas.