Medos que se tornam verdade

Quando coloquei que o Tadeu Schmidt deveria calar a boca eternamente, acabei concluindo com uma preocupação (que poderia mais ser um reductio ad absurdum) de que se nos esportes aceitam-se os trocadilhos engraçadinhos e deixa-se a notícia, o fato, de lado, isso logo espalharia para as demais áreas do jornalismo. Obviamente, um grande salto de lógica.

Infelizmente, não levou muito tempo para que eu achasse um exemplo real do meu medo.

Na Zero Hora de hoje, bem na capa, há a seguinte manchete:

“Um goleiro enredado”

É, obviamente, uma alusão à prisão do goleiro Bruno do Flamengo, acusado de ter sequestrado a amante, força-la a abortar e, como a criança chegou a nascer, acabou por planejar a morte da mesma. Ou, pelo menos, é a linha que está sendo seguida pelas investigações da polícia e cujos fatos estão surgindo para confirmar a hipótese.

E, com um caso bárbado destes, a Zero Hora, que deveria ser um jornal sério (em contra-partida com o já não sério Diário Gaúcho), coloca um trocadilho destes. Se jornal tivesse som, a manchete seria seguida por algum imitador do Sílvio Santos rindo.

Um homem abusa da posição de sucesso na mídia para participar de orgias, engravida uma garota de programa, força-a a abortar e depois planeja sua morte e a executa com a ajuda de traficantes. E vira trocadilho de um dos maiores veículos de notícias do estado.

Realmente, “jornalismo” é uma atividade rara no país, sendo gradualmente substituido pela comédia.