Uma Lição de VIM #12.1: Meu .vimrc

(Essa é a parte em que você vai ver um arquivo de configuração meio estranho.)

Como falamos sobre arquivo de configuração, eu vou mostrar o que eu tenho hoje configurado no meu VIM, explicando o que cada comando faz. Boa parte do que eu tenho veio da configuração global do VIM, que eu copiei apenas para garantir que não importando onde eu esteja ou qualquer alteração que seja feita neste arquivo, as funcionalidades que eu estou acostumado continuarão funcionando como esperado.

set encoding=utf-8

Garante que os arquivos salvos estarão em UTF-8, ao invés de tentar converter para o encoding do sistema operacional.

set nocompatible

Desativa o modo de compatilidade com o VI original. Existem algumas diferenças entre ambos (por exemplo, depois de um fazer um undo (u), no VI original fazer undo de novo desfazia o undo anterior (efetivamente, fazendo um “redo”) e para continuar fazendo undo, o primeiro comando depois de undo deveria ser .; no VIM, fazer um undo depois de um undo irá continuar desfazendo o que foi entrado no texto, até retornar ao estado original) e a não ser que você seja fã do VI original, eu não recomendaria usar o modo de compatilibidade.

set backspace=indent,eol,start

Apenas garante que o backspace consiga remover identações, apagar o fim da linha e o começo de uma linha (neste último, forçando a linha atual e se juntar com a anterior). Esse é o funcionamento normal de qualquer editor.

" Don’t use Ex mode, use Q for formatting
map Q gq

" Map Y to do the same (well, almost) as the D command
map Y y$

Estes dois mapeamentos eu peguei da configuração global, mas nunca efetivamente usei. Mas, por via das dúvidas…

Ainda, uma coisa que eu não havia comentado: Comentários. Você pode comentar qualquer linha começando a mesma com aspas (") sem as aspas finais (senão o VIM irá interpretar o conteúdo como string). Então: Uma aspa, comentário; duas aspas, string; mais de duas, erro.

if &t_Co > 2 ||&
  syntax on
  set hlsearch
endif

Ah, nosso primeiro encontro com ifs. Se o terminal tiver mais de duas cores (&t_Co > 2) ou estivermos rodando em GUI (has("gui_running")) então o suporte à sintaxes deve ser ligado (syntax on) e pesquisas devem marcar todas as ocorrências encontradas no último comando de pesquisa(set hlsearch)[1].

" ———————————————————————-
"  Those are my settings
" ———————————————————————-

set tabstop=4           " tabs are displayed as 4 spaces
set shiftwidth=4        " by default, when auto-identing, add 4 spaces (or 1 tabstop)
set foldmethod=marker   " fold on markers
set scrolloff=1         " always show one line around the cursor
set laststatus=2        " always show the status bar (’cause I like to see the line and column, always)
set showtabline=2       " always show the tabline
set showmatch           " show matching bracket
set noerrorbells        " no error bells
set autowrite           " write the file when switching between files or something
set nowrap              " do not wrap long lines
set nobackup            " do not keep a backup file, use versions instead
set history=50          " keep 50 lines of command line history
set ruler               " show the cursor position all the time
set showcmd             " display incomplete commands
set incsearch           " do incremental searching
set formatoptions=tcq   " wrap with textwidth, wrap comments, insert commend leader (twice), format comments
set smartindent         " smart identation
set number              " show line numbers
set wim=longest,list    " file auto-completion
set background=dark     " to follow most of the colorschemes I use
set vb t_vb=            " convert bells to visual bells and do nothing as visual bell

set t_Co=256            " 256 color terminals

let mapleader=","     " use comma to start user-defined (in plugins) functions

Um grande bloco de configurações. Vamos ver um por um:

  • set tabstop=4: Define o tamanho da tabulação. Se estiver usando o caractere “tab” ao invés de espaço, estes caracteres serão mostrados como 4 espaços (quando o padrão são 8).
  • set shiftwidth=4: Quando o VIM for identar um pedaço de texto sozinho[2]. Se “shiftwidth” for igual a “tabstop” e você não tiver configurado para usar espaços ao invés de tabulações (calma que eu já explico como se faz isso), o VIM irá adicionar uma tabulação inteira; se “shiftwidth” for menor que “tabstop”, espaços serão usados; se “shiftwidth” for maior que “tabstop”, será usada uma mistura de tabulações e espaços até que o tamanho especificado seja alcançado.
  • set foldmethod=marker: “Folding” foi algo que eu não comentei até agora porque eu até agora não consegui me aclimatar com folding (até porque eu não consegui pensar num mnemônico para lembrar dos comandos). Mas, basicamente, “folding” permite que você “oculte” partes do código com alguma condição. Alguns arquivos de sintaxe definem início e fim de funções e isso pode ser usado para ocultar toda uma função (apenas para exibição, a função continua existindo lá). “marker” define que o método de folding são marcadores e os marcadores padrão são “{{{” para o início e “}}}” para o fim.
  • set scrolloff=1: Número de linhas que devem sempre ficar visíveis ao redor do cursor. “1” significa que antes de chegar à primeira ou última linha da tela, o VIM irá rolar o texto e apresentar a linha anterior (ou próxima) — enquanto possível.
  • set laststatus=2: Quando estávamos vendo splits, você deve ter notado que o VIM adicionou uma barrinha indicando a posição do cursor (e talvez mais algumas outras informações). Esse é o padrão para “1” (mostrar a barra de status quando houver splits); “0” nunca mostra e “2” mostra sempre.
  • set showtabline=2: Assim como “laststatus”, se você estava vendo abas em modo de console, deve ter reparado que a linha com as abas aparecia apenas quando haviam duas ou mais abas. “2” define que essa linha de abas deve ser sempre mostrada, mesmo quando há apenas uma aba.
  • set showmatch: Quando estiver sobre um caractere como parênteses, colechetes ou chave, faz o highlight do elemento que abre ou fecha o correspondente.
  • set noerrorbells: Se ocorrer um erro, não utilize erros sons para notificações[3].
  • set autowrite: Quando o VIM passar o controle para outro aplicativo (“grep”, “make” ou mesmo o “shell”), salva o arquivo atual antes de passar a execução.
  • set nowrap: Quando uma linha for maior que a tela, desabilita a “quebra” da linha e, com isso, é necessário “rolar” o conteúdo horizontalmente para ver o resto. Um aviso: se você usar “wrap” (set wrap) o VIM vai continuar lidando a linha como uma coisa só, desconsiderando como a mesma está sendo apresentada; assim, se você estiver na primeira parte de uma linha que foi quebrada por wrap, usar qualquer comando que vá para a próxima linha irá ir para a próxima linha, não para a parte quebrada.
  • set nobackup: Não grava arquivos de backup. Por padrão, antes de salvar um arquivo, o VIM guarda uma cópia do original com o mesmo nome seguido de “~”.
  • set history=50: Quando você usa um comando, o VIM pode guardar esse comando para execução futura, como o prompt do shell. Aqui é definido quantos destes comandos são guardados.
  • set ruler: Sempre que possível, mostre a posição do cursor. Se “laststatus” for “0” (ou “1” e não houver nenhum split), a posição é exibida na última linha da tela, no canto direito; se “laststatus” for “2” (ou “1” e houver pelo menos um split), a posição é exibida dentro da barra de status[4].
  • set showcmd: Você deve ter notado que comandos que esperam mais informações (por exemplo, aqueles que requerem uma movimentação) não são mostrados em lugar algum. “showcmd” irá mostrar o comando até que ele seja concluído.
  • set incsearch: Enquanto você estiver digitando uma pesquisa, já vai posicionando o cursor na primeira ocorrência encontrada. “noincsearch” irá manter o cursor na mesma posição até que o mesmo seja concluído.
  • set formatoptions=tcq: Opções de formatação de textos. Cara um dos caracteres representa algo diferente: “t” indica que se “textwidth” estiver definido, o editor deve quebrar as linhas[5]; “c” significa que se o texto for quebrado durante um comentário (definido pela sintaxe atual), um novo caractere de comentário deve ser adicionado; “q” indica que comentários podem ser quebrados por “textwidth”.
  • set smartindent: Utiliza identação inteligente, se a sintaxe não definir nenhuma. Existem quatro tipos de identação: Nenhuma (“nosmartindent” indicando que ao adicionar uma nova linha, nenhuma identação é adicionada; “autoindent” para que novas linhas tenham a mesma identação da linha anterior; “smartindent”, que tenta usar o último caractere da linha para identificar se deve ser adicionada uma nova identação ou não (por exemplo, parênteses e chaves adicionam identação); e “cindent” que tenta seguir o padrão para C. Note que essa configuração só vale para arquivos que não definem uma identação no seu arquivo de sintaxe (que são bem poucos).
  • set number: Adiciona uma área na esquerda da tela com o número da linha na própria linha.
  • set wim=longest,list: Duas coisas aqui: 1) comandos de set tem um nome longo e um nome curto e “wim” é o nome curto para “wildmode”; 2) “wildmode” define como serão completados os nomes dos arquivos quando você usar um comando para abrir arquivos e usar [Tab] para tentar completar o nome do arquivo automaticamente. “longest,list” emula o padrão de shells como Bash.
  • set background=dark: Alguns colorschemes (temas de cor) definem dois padrões de cores, um claro e um escuro. “background=dark” define que, na existência de dois padrões, o padrão escuro deve ser usado.
  • set vb t_vb=: Mais uma coisa nova: Duas configurações em uma linha só. Na verdade, todas as configurações apresentadas aqui poderiam ficar em uma linha só, mas eu mantive estas duas juntas por um motivo: Como defini “noerrorbell”, o VIM cai para “visualbell” (nome longo de “vb”), que causa um “flash” no conteúdo (as cores do tema rapidamente se invertem e voltam ao normal) quando ocorre um erro; no caso, eu defini que sim, eu quero que o tipo de erro visual (“t_vb”) seja… nada. Assim, quando ocorre um erro, o VIM não bipa nem faz flash.
  • set t_Co=256: Define que o terminal terá, por padrão, 256 cores. Algumas vezes o VIM não consegue descobrir se o terminal tem suporte a mais de 16 cores ou não e esta configuração reafirma que sim, o terminal é capaz de usar 256 e, portanto, colorschemes podem ter mais cores.
  • let mapleader=",": Define a variável “mapleader”. “mapleader” é o caractere que o VIM utiliza em alguns plugins[5], quando estes define comandos em modo normal. O padrão é “/”, eu mudei para vírgula.
if has("autocmd")

Eu falei sobre auto-commands, mas na verdade é uma feature que deve ser adicionada na hora de compilar o VIM. Entretanto, até agora eu não vi um pacote disponível que não tenha essa feature. Apenas para garantir, verificamos se a funcionalidade foi adicionada mesmo ou não.

Boa parte do que tem daqui pra frente ou eu já falei ou veio do arquivo de configuração global.

  filetype plugin indent on

Ativa as configurações vindas do arquivo de sintaxe. Quando eu disse que as configurações de auto-identação vem do arquivo de sintaxe, é esta linha que garante que isso vai acontecer.

  autocmd FileType text setlocal textwidth=78

Quando o tipo de arquivo for texto (“text”) define localmente para aquele buffer que o tamanho da linha é de 78 colunas. Como “formatoptions” tem um “t”, o VIM irá automaticamente quebrar a linha (adicionando um [Enter] antes da palavra que passa do limite) na coluna 78.[7]

  " When editing a file, always jump to the last known cursor position.
  " Don’t do it when the position is invalid or when inside an event handler
  " (happens when dropping a file on gvim).
  autocmd BufReadPost *
    \ if line("’\"") > 0 && line("’\"") <= line("$") |
    \   exe "normal g`\"" |
    \ endif

Este comando existe no arquivo de configuração global, mas é bem interessante. Lendo exatamente o que ele faz: Depois de carregar qualquer arquivo, se a linha que o marcador de saída do buffer existir e estiver entre o começo do arquivo e antes do fim da linha, executa, em modo normal, g`", que efetivamente “pula” para o marcador de saída do buffer. A diferença entre ` e g` é que g` não mexe no jumplist quando pular (logo, `` não vai funcionar). Como não mexer no jumplist é algo que não se faz normalmente, nem comentei antes.

  autocmd FileType python autocmd BufWritePre <buffer> :%s/\s\+$//e

Eu falei deste comando antes, mas vamos de novo: Quando o tipo de arquivo for “python”, adicione um auto-comando que antes de gravar o buffer, execute, no buffer, a expressão regular /\s\+$//e, que basicamente, serve para remover espaços em branco no final das linhas.

  " omni completion
  au FileType python setlocal ofu=pythoncomplete#Complete
  au FileType javascript setlocal ofu=javascriptcomplete#CompleteJS
  au FileType html setlocal ofu=htmlcomplete#CompleteTags
  au FileType css setlocal ofu=csscomplete#CompleteCSS
  au FileType xml setlocal ofu=xmlcomplete#CompleteTags
  au FileType php setlocal ofu=phpcomplete#CompletePHP

  set completeopt-=preview

Eu não falei do Omni-complete antes porque até o momento o auto-complete ([Ctrl]p e [Ctrl]n em modo de inserção) tem resolvido todos meus problemas. Mas, em teoria, o omni-complete consegue detectar quais elementos fazem sentido no contexto atual, “encherga” coisas que estão no arquivo de tags e conhece toda a sintaxe da linguagem que você está usando. Mas, realmente, o simples auto-complete já resolve 99% dos problemas que tenho encontrado.

E desliga a apresentação dos resultados do omni-complete na janela de preview, que é semelhante ao quickfix, mas na minha experiência, ela quebra muito o fluxo de edição do código.

Se você quiser tentar, para usar o omni complete basta usar [Ctrl]x e depois [Ctrl]o.

  " ———————————————————————-
  "  Auto-commands
  " ———————————————————————-

  " default python style
  " (use spaces instead of tabs (expandtab), uses 4 spaces for tabs (tabstop),
  " when auto-indenting, also use 4 spaces (shiftwidth), when deleting text, 4
  " spaces are a tab (softtabstop) and break the line at column 78 (textwidth))
  au FileType python setlocal expandtab tabstop=4 shiftwidth=4 softtabstop=4 textwidth=78
  
  " reStructured files follow python closely, but use 3 tab stops instead of 4
  au FileType rst setlocal expandtab tabstop=3 sw=3 sts=3 textwidth=78
  
  " templates (Jinja2 in this case) will use tabs instead (to reduce file size)
  au FileType htmldjango setlocal noet tabstop=4 shiftwidth=4 softtabstop=4 textwidth=0
  au FileType jinja setlocal noet tabstop=4 shiftwidth=4 softtabstop=4 textwidth=0
  
  " the smarty filetypes doesn’t have any sort of indentation, so we set it to
  " auto
  au FileType smarty setlocal ai
  
  " PHP break lines at column 79, like Python
  au FileType php setlocal textwidth=79
  
  " svn (when editing svn commit messages, break lines at
  " column 70)
  au FileType svn setlocal tw=70
  
  " email (mostly mutt stuff)
  au FileType mail setlocal spell spelllang=en
  
  " JavaScript (who though those were "good" defaults?)
  au FileType javascript setlocal expandtab tabstop=2 sw=2 sts=2 textwidth=0

Uma série de auto-comandos baseados no tipo de arquivo. Como eu falei antes neste capítulo, você pode botar vários “set” um atrás do outro separados por espaço e sets tem versões com nomes longos e nomes curtos (“sts” é um atalho para “softtabstop”, “sw” para “shiftwidth”, “noet” para “noexpandtabs”, “ai” para “autoindent” e “tw” para “textwidth”). E sim, eu sei que não manti nenhum padrão no meio, mas pelo menos agora você alguns nomes curtos para algumas opções.

else
  set autoindent                " always set autoindenting on
endif " has("autocmd")

E, se autocmd não estiver disponível, simplesmente seta auto-indent.

" ———————————————————————-
" mapings
" ———————————————————————-

" Easy switching between tabs (just use Alt+<tab number>)
if has(‘mac’)
    map <D-1> :tabn 1<CR>
    map <D-2> :tabn 2<CR>
    map <D-3> :tabn 3<CR>
    map <D-4> :tabn 4<CR>
    map <D-5> :tabn 5<CR>
    map <D-6> :tabn 6<CR>
    map <D-7> :tabn 7<CR>
    map <D-8> :tabn 8<CR>
    map <D-9> :tabn 9<CR>
    map <D-0> :tabn 10<CR>

    imap <D-1> <ESC>:tabn 1<CR>a
    imap <D-2> <ESC>:tabn 2<CR>a
    imap <D-3> <ESC>:tabn 3<CR>a
    imap <D-4> <ESC>:tabn 4<CR>a
    imap <D-5> <ESC>:tabn 5<CR>a
    imap <D-6> <ESC>:tabn 6<CR>a
    imap <D-7> <ESC>:tabn 7<CR>a
    imap <D-8> <ESC>:tabn 8<CR>a
    imap <D-9> <ESC>:tabn 9<CR>a
    imap <D-0> <ESC>:tabn 10<CR>a
else
    map <M-1> :tabn 1<CR>
    map <M-2> :tabn 2<CR>
    map <M-3> :tabn 3<CR>
    map <M-4> :tabn 4<CR>
    map <M-5> :tabn 5<CR>
    map <M-6> :tabn 6<CR>
    map <M-7> :tabn 7<CR>
    map <M-8> :tabn 8<CR>
    map <M-9> :tabn 9<CR>
    map <M-0> :tabn 10<CR>

    imap <M-1> <ESC>:tabn 1<CR>a
    imap <M-2> <ESC>:tabn 2<CR>a
    imap <M-3> <ESC>:tabn 3<CR>a
    imap <M-4> <ESC>:tabn 4<CR>a
    imap <M-5> <ESC>:tabn 5<CR>a
    imap <M-6> <ESC>:tabn 6<CR>a
    imap <M-7> <ESC>:tabn 7<CR>a
    imap <M-8> <ESC>:tabn 8<CR>a
    imap <M-9> <ESC>:tabn 9<CR>a
    imap <M-0> <ESC>:tabn 10<CR>a
endif

Ok, este é um mapeamento que eu sempre achei interessante:

1) Existe uma diferença entre OS X e outros sistemas que a tecla “Command” é usada para praticamente tudo, inclusive trocar as abas nos browsers; já em outros sistemas, a tecla para isto é “Alt”. Um VIM compilado para OS X tem, estranhamente, uma feature chamada “mac”; checando isso você consegue descobrir se está rodando num OS X ou não.

2) Mapeamentos diferentes para modo normal e de inserção: Se estiver no modo normal, basta usar :tabn {número} para pular diretamente para uma aba (:tabn {número} é a versão de modo de comando do {número}gt do modo normal[8][9]); quando estiver em modo de inserção, saida do modo de inserção (simulando pressionar [Esc] com <ESC>, execute o mesmo comando usado no modo normal para pular para uma aba específica e volte para o modo de inserção (a).

BOOM! Você acabou de adicionar no VIM uma feature que existe nos browsers.

" custom PHP syntax file configuration
let php_smart_members=1

Essa é uma das coisas que eu falei antes: “let” permite definir variáveis, incluindo algumas dentro do arquivo de sintaxe. No caso php_smart_members altera a forma como funções membro de uma classe em PHP seja coloridas de forma diferente.

O resto do meu arquivo de configuração é usado para manter plugins, que eu vou explicar o que cada um faz mais pra frente. Se você quiser ver o arquivo original, ele pode ser encontrado no meu repositório de configurações (que eu uso para manter as configurações sincronizadas entre meu computador pessoal e o computador do trabalho).

Ah, e se você estiver se perguntando como eu fiz para colorir a configuração do VIM: Eu usei o comando :TOhtml que existe no próprio VIM. As cores que você está vendo são as cores que eu uso no meu colorscheme (Mustang, que eu vou falar na parte de plugins).

[1] Apenas para fazer um gancho com o que foi falado anteriormente: No capítulo #2.5, quando estava falando de comandos do modo de comando, eu comentei sobre :noh para desmarcar as ocorrências encontradas no último comando de pesquisa. Bom, hlsearch faz com que estas ocorrências sejam marcadas e se você colocar set nohlsearch, nenhuma ocorrência será marcada e você nunca irá precisar usar :noh.

[2] … ou quando você usar >{movimentação} ou <{movimentação} em modo normal, que eu não havia mencionado antes porque estávamos falando de edição de qualquer texto e não de código fonte. >> irá adicionar um “shiftwidth” para a direita e << irá remover um “shiftwidth” na esquerda.

[3] Aqui acabamos de ver duas configurações de flags: Uma ativando uma configuração (“showmatch”) e outra desligando (“noerrorbells”).

[4] Uma pequena nota sobre as posições apresentadas: algumas vezes, você verá o VIM apresentar a coluna como “{número}-{número}”. Isso acontece principalmente quando se está usando tabulações ao invés de espaços e o VIM está indicando a contagem de caracteres na esquerda e a coluna de exibição na direita (ou seja, o valor da direita é {quantidade de caracteres menos tabulações} + ({quantidade de tabulações} * {“tabstop”}).

[5] E quando digo “quebrar” eu quero dizer “quebrar” mesmo: Enquanto que “wrap” irá cuidar apenas da apresentação do texto, “textwidth” com “formatoptions=t” irá inserir um caractere de nova linha quando a palavra digitada ultrapassar o limite indicado.

[6] Note que o VIM define uma variável para isso, mas nada garante que o autor do plugin utilizou essa tecla. Existe um padrão em usar “mapleader” como início de comando normal de um plugin, mas nada obriga o autor do plugin à usar esta tecla.

[7] E, recapitulando, para reformatar o parágrafo caso você altere alguma coisa no texto, use gq sobre a região do mesmo. O VIM irá considerar o “textwidth” na hora de reformatar.

[8] E não, não são todos os comandos que tem versões tanto em modo normal quanto em modo de comando.

[9] E porque eu usei :tabn {número} ao invés de {número}gt? Porque quando eu pesquisei como pular de abas, este foi o primeiro resultado que eu encontrei.

Uma Lição de VIM #12: Arquivos de Configuração

(Essa é a parte em que eu menti.)

Lembram que bem no começo, quando estávamos falando dos modos de execução, eu comentei que o modo Ex não era usado?

Bom, eu menti. MUAHAHAHAHA!

muahaha

Na verdade, o Modo Ex não é chamado comumente, mas os arquivos de configuração do VIM são um grande amontoado de comandos executando em modo Ex.

E o que é o modo Ex, afinal de contas? O modo Ex nada mais é que o modo de comando sem a necessidade de usar : na frente de todos os comandos. Como ficaria complicado para, por exemplo, entrar no modo Ex, executar e arquivo, sair do modo ex e entrar em modo de inserção, até o momento temos usado o modo de comando para isso, já que economiza um monte de tecladas. Como não iremos ficar indo para o modo de inserção o tempo todo, e não faz sentido fazer um arquivo gigantesco com várias linhas começando com :, também faz sentido que o arquivo de configuração seja executado em modo Ex.

O VIM tem um arquivo de configuração global (conhecido com vimrc) e um arquivo para execução em modo gráfico (gvimrc)[1]. Ainda, existem duas versões de cada um destes arquivos: uma versão global para todos os usuários e uma versão definida para o usuário atual. Daqui pra frente, iremos ver as configurações do usuário, já que estas sobrepõem as globais.

vimrc e gvimrc ficam no diretório dos dados do usuário; em qualquer um dos sistemas operacionais hoje, você consegue descobrir o diretório destes arquivos com :echo $HOME dentro do próprio VIM. Apenas note que embora eu venho chamando os arquivos de vimrc e gvimrc, os nomes são, na verdade, .vimrc e .gvimrc (ou _vimrc e _gvimrc no caso do Windows).

Como existem muitas opções, não vou aqui explicar cada uma delas — mas, no próximo capítulo eu vou mostrar o arquivo que eu estou usando para servir de guia.

O que você vai ver quando abrir um arquivo de configuração:

set

set é, efetivamente, a forma de “setar” alguma configuração no VIM.

Existem dois tipos de configurações: As com valores e flags.

Flags é mais fácil de ser explicado: você simplesmente seta a configuração. Por exemplo, fazer com que o editor mostre uma coluna com o número de cada linha, você pode usar :set number (ou simplesmente set number dentro do arquivo de configuração). Para desligar uma opção deste tipo, você só precisa adicionar “no” na frente (para desligar number é usado :set nonumber).

“Valores” é exatamente o que significa: Ao invés de ser uma simples flag, a opção recebe uma string ou número. Por exemplo, :set tabstop=4 irá definir que o tamanho da tabulação é de 4 espaços. :set notabstop não tem efeito aqui, já que não é uma flag.

Para fazer com que uma configuração volte ao seu valor/estado original, use :set {opção}&; para verificar o valor de uma opção, use :set {opção}?.

Talvez a coisa não esteja muito clara aqui, mas quando examinarmos um arquivo de configuração real, as coisas irão clarear.

let

let é usado para definir o valor de uma variável. Uma variável tem sempre um valor — ou seja, não existem “variáveis flags”. Variáveis são normalmente utilizadas por plugins ou arquivos de sintaxe e, portanto, as variáveis que você terá que usar vão depender do que você está usando.

(Obviamente, se você estiver escrevendo seu próprio plugin — que eu não vou abordar aqui — o uso de variáveis vai ser praticamente obrigatório.)

if

if, como em qualquer linguagem de programação, serve para execução condicional. Você pode, por exemplo, verificar se alguma feature foi ativada na compilação do binário, se alguma opção está ligada, etc.

Por exemplo, para verificar se o suporte à scripts Python foi adicionado, você pode fazer:


if has('python')
" configuração em python vai aqui
end

Para verificar se alguma opção está ativa:


if &compatible
" configuração em modo de compatibilidade com o VI original
end

ou para conferir um valor:


if &t_Co > 2
" configuração quando há suporte a mais de 2 cores.
end

E assim por diante.

map, imap (e outros)

map pode ser usado para mapear teclas para outras funções. Por exemplo :map Y y$ irá mapear Y para executar y$ (copiar da posição atual do cursor até o fim da linha). Com excessão de [Shift], qualquer modificador pode ser usado:

  • C- para [Control]
  • M- para [Alt] (que normalmente é chamado de “Meta” em sistemas Unix — e por isso “M”)
  • O- para [Command] (somente em Macs)

Por exemplo, :map C-m yy irá adicionar [Ctrl]m para copiar a linha inteira.

Ainda, a diferença entre map e imap é que map é global enquanto que imap só irá funcionar em modo de inserção (e assim você pode imaginar o que nmap e vmap fazem, certo?)

au (ou autocmd)

Comandos que são executados em determinadas condições. Condições podem desde “FileType” para ações confirme o tipo de arquivo e “BufRead”, “BufWrite” e relacionados quando um buffer for aberto ou fechado.

O que seriam os “relacionados”? Bom, alem de ser na leitura/escrita do arquivo, podem ser adicionados comandos antes da execução (“BufReadPre”, “BufWritePre”), depois da execução (“BufReadPost”, “BufWritePost”) e durante (“BufReadCmd”, “BufWriteCmd”).

(Existem ainda auto-comandos para quando o editor entrar em modo de edição, abrir o VIM gráfico, VIM está fechando, e assim por diante. Para ver todos os eventos, digite :help autocmd-events.)

Por exemplo, au FileType smarty set ai para ligar a auto-identação quando VIM detectar que você está editando um arquivo Smarty (engine de templates para PHP). Ou ainda au BufRead set nocompatible irá configurar o editor para entrar em modo de não-compatibilidade com VI depois de abrir qualquer arquivo.

Ainda, é possível encadear auto-comandos, por exemplo, autocmd FileType python autocmd BufWritePre :%s/\s\+$//e irá fazer com que quando o tipo de arquivo for “python”, seja criado um auto-comando que antes de salvar o arquivo, seja executado um comando de substituição no buffer — que remove espaços em branco no final da linha).

(Se você está perdido com o que está vendo aqui, não se preocupe — a tendência é que, ao ver um arquivo de configuração real, você entenda o que está acontecendo).

[1] Existe um terceiro, .exrc, mas honestamente, em todo esse tempo usando o VIM, eu nunca tinha ouvido falar que este arquivo sequer existia.